Cuidado, você pode ser promovido

O mundo dos sonhos

Quando estava em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho, eu lia certas revistas especializadas em carreira, eu ficava encantado com as histórias daqueles profissionais ambiciosos que começavam nos primeiros degraus de uma escala hierárquica e que aos poucos iam evoluindo na carreira, ganhando promoções, reconhecimento, fama e aos poucos conseguiam se estabelecer em cargos de liderança e chefia em determinadas empresas. Uau! Eu queria aquilo pra mim! Ser um funcionário reconhecido e admirado, ter um salário atrelado a um status de pertencer ao alto escalão de um grupo empresarial! Sim, isso era fantástico!

Mas aí vinha o mundo real

Eu era inexperiente, não tinha emprego na minha área e a realidade das empresas na minha cidade era muito diferente daquela estampada naquelas publicações. Ainda assim, eu tinha o sonho de entrar para um grupo empresarial, provar o meu valor, poder ser promovido a um bom cargo e assim, ser um profissional (aliás, empregado) de sucesso! Foi quando no final de 2004 eu tive a oportunidade de se contratado por uma Organização Não-Governamental (ONG) que tina uma filial na minha cidade. Foi lá que eu percebi que era possível sim, conseguir tal proeza. Bastava seguir a receita dos caras de sucesso: ser mais o mais dedicado para assim, fazer mais e ser mais que os outros do meu setor (que eram de outras regionais). Para isso, além de ser o primeiro a chegar e o último a sair, bastava eu fazer o que eu já publiquei no artigo “A instabilidade da estabilidade”: cumprir os objetivos e metas dos meus patrões e, se for o caso, entregar até mesmo além do que fora estipulado.

Empolgação

Empolgado com o meu primeiro emprego, eu sempre sugeria aos meus superiores o que eu lia em livros e nas revistas já mencionadas acima, mas aí as ideias eram abafadas, ignoradas e esquecidas por eles, até que eu fui alertado por um colega: “as coisas aqui não são como você pensa. Faça apenas o que lhe é mandado e assim você não estressa nem os gerentes e nem a si mesmo”. No início eu pensei que ele estivesse tendo inveja da minha iniciativa e proatividade (coisas valorizadas pelas empresas, conforme a literatura especializada), mas aos poucos eu via que estava dando murro em ponta de faca e muito pouco (ou nada) do que eu sugeria era acatado.

O objetivo dos outros, não os meus

Embora eu tenha conseguido realizar o que sempre quis (viajar a trabalho e conhecer colegas de outras cidades), eu percebi que as cobranças e metas só tendiam a aumentar – eu ia precisar levar a cabo a ideia de ser o primeiro a chegar e o último a sair, sem canuncio curso gratuito aontar que muita coisa eu ainda ia precisar fazer em casa. Eu teria que me matar de trabalhar para honrar os objetivos da empresa, não os meus! Aquilo foi o início do meu fim: eu era um jovem de 21 anos que só durou 6 meses no seu único emprego!

Mais de dez anos já se passaram e hoje não me empolgo mais com aquelas revistas de empregados bem-sucedidos. Pelo contrário, vejo pessoas inteligentes e capacitadas como você e pergunto Você ainda vai ao trabalho? De que vale seu diploma? Você sabe o que fazer com seu currículo? Você realmente quer ser promovido para poder desfrutar de viagens (que nunca vai aproveitar), de hotéis (que só vão recebê-lo para refeições e descanso no modo “The Flash”), ou de um dinheiro que nunca vai poder gastar (pois você estará sempre ocupado demais com os novos e muitos objetivos, metas e pressões da empresa para a qual trabalha)?

Você quer ser promovido?

Faça e consiga o que seu patrão mandar e não meça esforços para entregar tudo com um bônus extra, dessa forma você ganhará o direito de ser promovido, de ganhar mais, de trabalhar mais e de se estressar mais na sua carreira de “sucesso”. Assim, possivelmente, você nunca vai conhecer a riqueza da simplicidade.
Faça, que acontece!

 

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